PROTESTAR, RESISTIR E ILUMINAR CON DEMANDAS EL ESPACIO PÚBLICO

Por Verónica Capasso*



Oriundo de Brasil, Projetemos se define como una red mundial de proyeccionistas libres. El colectivo nació en marzo del año 2020 en el contexto de diferentes protestas y cacerolazos en varias ciudades brasileñas dada la pésima gestión de la pandemia por parte del presidente Jair Bolsonaro. Projetemos realiza, desde entonces, proyecciones en el espacio público urbano en las cuales aparecen sus críticas al accionar del gobierno en diferentes temas. Estas imágenes (figurativas y/o textuales) son, luego, viralizadas en sus redes sociales (fundamentalmente en Twitter e Instagram). De este modo, estos “artivistas lumínicos”[1] -como define Andrea Gana a este tipo de acción-, resisten y polemizan con un gobierno que, cotidianamente, vulnera y avasalla los derechos de miles de personas y que ya carga con más de 500 mil muertes por Covid-19.


Entrevista a Felipe Spencer/ Projetemos[2]


Quando e porque surgiu Projetemos?


F.: Projetemos surgiu o ano passado. Nós começamos exatamente um dia antes do primeiro grande panelaço do começo da pandemia. Todo o mundo estava em casa e tínhamos... no começo éramos algumas pessoas que trabalhavam... algumas pessoas que trabalham com projeção e a gente começou a fazer um disparo de um card convidando as pessoas para vir a projetar também. Começo a juntar muita gente, pessoal de sindicato, professores e várias pessoas que não são exatamente projecionistas. Basicamente, Projetemos é um protesto sobre os desmandos do governo atual e uma tentativa de educar a população para utilizar máscaras, lavar as mãos, ficar em casa quando puder, um pouco de arte também e algumas notícias do que tá acontecendo no Brasil e no mundo.



Imagen 1

Projetemos. Captura de pantalla, Instagram, 23 de marzo de 2020

Instrucciones para compartir proyecciones


Quem faz parte de Projetemos?


F: Os fundadores do Projetemos somos eu (Felipe Spencer), Bruna Rosa e Mozart Santos, mas assim a criação de hashtag, a criação de redes. E aí o Projetemos não é só esse grupo, é as ações coletivas que esse grupo propõe, promove. A gente conhece as pessoas pela internet, as pessoas começam a trabalhar juntos, fazer, botar essas mensagens juntos, né? A maioria das mensagens tem o senso comum que é a questão da saúde, é a questão da corrupção e algumas outras questões como das mulheres, LGBT, dos indígenas, o povo negro. Nós começamos a expandir e continuamos expandindo esses assuntos.





Imagen 2

Projetemos. Captura de pantalla, Instagram, 28 de junio de 2021.

Día Internacional del Orgullo LGBTTIQ+


Sua proposta é projetar mensagens diferentes em superfícies diferentes, como são escolhidas as superfícies de projeção?


F.: Na realidade, não escolhemos a superfície que a gente utiliza. É uma coisa assim, você pega o projetor que você tem mais próximo da sua mão e você coloca na sua janela ou dentro da própria casa e começa a protestar e compartilha nas redes com o hashtag #Projetemos. É o que você tiver de superfície mais próxima. Os edifícios estão no Brasil inteiro, nas capitais e algumas cidades no interior, leste, oeste, norte, sul. Todas as regiões.


Existem regiões ou cidades onde as projeções são mais bem recebidas do que em outras? Se a resposta for sim, por que você acha que isso acontece?


Todo mundo é muito bem-vindo para entrar em Projetemos, muito bem-vindo mesmo o Brasil inteiro. Mas a gente vê que Minas Gerais é um estado apaga assim que tem muitas pessoas que estão aí nessa sede de justiça, de mais direito para as pessoas. Eu confesso que eu não sei explicar direito porque as pessoas lá, nas Minas Gerais, se organizam tão bem assim, por ser um lugar menor que São Paulo. Mas Minas Gerais parece ser um lugar que concentra uma parcela maior de pessoas que não fazem projeção por outra coisa senão por ativismo.



Imagen 3

Projetemos. Captura de pantalla, Instagram, 17 de junio de 2021.

Proyección que alude a los protocolos de cuidado.


Como vocês escolhem os temas que são projetados?


F.: Nós fazemos algumas reuniões, são vários grupos. A partir dessas reuniões mais uma pesquisa de internet, no Twitter, nos principais meios de comunicação, nós temos um norte por onde nós vamos caminhar nas projeções da noite. E aí nós fazemos alguns materiais e pegamos materiais também com outros grupos como DesignAtivista e distribuindo-os ali. É distribuído pelos links para as pessoas que querem projetar. Porque sempre chega pedindo para projeções.


Quem faz os desenhos do que é projetado? No grupo Projetemos, existem designers?


Os desenhos eles são feitos por nós, são feitos pelo nosso grupo, também por conhecidos da nossa rede de contatos de Projetemos e tem também alguns designers de fora que mandam seu trabalho por Instagram.


Para quem vocês direcionam suas mensagens? Você tem um destinatário ideal em mente, quem você deseja alertar, convencer?


As pessoas que são direcionadas são pessoas que a gente se fala, pessoas que precisam ser iluminadas e aí depende de idade, depende de credo, de orientação sexual, qualquer coisa, sabe? A gente tenta iluminar as pessoas que nos observam na rua.




Imagen 4

Projetemos. Captura de pantalla, Instagram, 1 de julio de 2021.

Protesta contra Jair Bolsonaro


Quais vantagens e desvantagens, se houver, tem esse tipo de ação? A ação de projetar frases ou imagens


F.: Projetar como ato de protesto eu acho que só tem vantagem, pois nós podemos falar das nossas causas, sobre direitos, sobre a nossa sociedade como um todo e tentar espalhar essa ideia na internet faz com que a coisa chegue a mais pessoas. Eu acho que projetar é, acima de tudo, uma atitude cívica de que nós conseguimos ir atrás das nossas causas, fazendo com que algumas vezes elas sejam escutadas pelas autoridades do nosso país. Intentamos o quanto antes procurar restabelecer a democracia do nosso país.




Imagen 5

Projetemos. Captura de pantalla, Instagram, 21 de septiembre de 2020.

Proyección vinculada a las quemas en el Amazonas.


Que repercussões tiveram as projeções para quem as vê na rua, quem escreve nas redes sociais, etc.?


Tenho uma história de Instagram bem interessante que foi quando foi feita a projeção do “BumBum TanTam”[3]. Eu vi lá no story do MC Fioti é uma das duas projeções do “Bum Bum Tam Tam”, na terceira projeção já tava fazendo uma paródia, na quarta, quinta história ele já tava no outro dia de manhã cedinho gravando no estúdio. Foi bem massa teve essa desenvolvida coisa toda. Não estou dizendo que foi a gente que fez a coisa acontecer, de jeito nenhum, mas dizendo que a gente alí [foi] como um abrir de olhos gente que fala de “Bum Bum Tam Tam” aqui quem mora em São Paulo sabe, teve essa analogia entre o bairro de Butantã com o 'Bum Bum Tam Tam” e por ahí va, no?. É bem interessante essa ideia.




Imagen 6

Projetemos. Captura de pantalla, Instagram, 7 de enero de 2021.

Proyección vinculada a la vacuna Butantan, desarrollada en Brasil contra el Covid-19.


Para o coletivo, qual é a importância das redes sociais e do uso de hashtags?


As redes sociais, sobretudo a hashtag que nós criamos, #Projetemos, são os principais meios de condução das nossas ideias, né? Porque as projeções na rua, por maiores que sejam os prédios, não atinge tantas pessoas quanto a internet atinge, com o compartilhamento, as interações com as postagens.


Alguma das demandas ou críticas ao governo foram ouvidas ou geraram algum tipo de mudança? Qual/quais?


Uma das coisas que eu vi foi a ajuda que nós fizemos com a deputada Isa Penna[4], a respeito do que ela sofreu, ajudamos a encontrar a justiça com que aconteceu com ela. Nossas causas costumam ser mais genéricas e ajudar as pessoas que já estão com esse movimento de comunicação da sua causa. A gente vai dar como um trampolim, sabe? Para ajudar as pessoas.



[1] Conceptualización de Andrea Gana, artista visual y sonora, una de las creadoras del colectivo proyeccionista chileno Delight Lab. [2] La presente entrevista se enmarca en una investigación realizada en conjunto con la Dra. Ana Bugnone. [3] Projetemos compartió una proyección con la letra de la canción del rapero y productor brasileño de funk carioca MC Fioti. El nombre del tema rima con y recuerda al Instituto Butantan, centro de investigación localizado en el distrito de Butantã, en la ciudad de São Paulo donde se desarrolló la vacuna Butantan contra el Covid-19. El hecho es explicado en “Butantan canta al ritmo de Bum bum tam tam para incentivar la vacunación en Brasil”. [4] La legisladora Isa Penna del parlamento de San Pablo, en Brasil, denunció a su compañero Fernando Cury por acoso sexual.



* Doctora en Ciencias Sociales e Investigadora del CONICET en el Instituto de Investigaciones en Humanidades y Ciencias Sociales. Docente del Profesorado en portugués e integrante del Proyecto “Cultura y sociedad en Argentina y Brasil: siglos XX y XXI” (Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación, Universidad Nacional de La Plata, Argentina). Mail: capasso.veronica@gmail.com; RG: https://www.researchgate.net/profile/Veronica_Capasso

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